3º Ciclo – Seminário sobre Cinema Italiano: L’Italia di Norberto Bobbio

 SEMINÁRIO SOBRE O CINEMA ITALIANO

 A ITÁLIA DE NORBERTO BOBBIO

 INSTITUTO NORBERTO BOBBIO – CULTURA, DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS

 tem a honra de convidar para o 

3º CICLO – A ITÁLIA ENTRE A GUERRA E O PÓS-GUERRA, DO NEOREALISMO AO CINEMA DE AUTOR 

com a apresentação do Professor Maurizio Russo, exibição e discussão do filme

Anos Fantásticos (1962)

 [*inédito nos cinemas e nas locadoras de SP]

 de Luigi Zampa, com Nino Manfredi, Linda Sini, Gino Cervi, Michèlle Mercier, Gastone Moschin, Salvo Randone, Angela Luce

 Data e local:

26 de Maio, quinta-feira, às 18h30,

no auditório da Câmara Italo-Brasileira,

localizado à Rua Ipiranga, 344 Ed. Itália, Circolo Italiano, 2º andar, Centro, São Paulo/Capital. 

As inscrições estão limitadas aos 70 lugares disponíveis.

Para participar, basta enviar email para instituto@institutonorbertobobbio.org.br

A inscrição é gratuita, e a confirmação será feita por email.

Para mais informações: www.institutonorbertobobbio.org.br

 
 

 

Anos Fantásticos, por Maurizio Russo*

Tradução: Luci Buff
 
Anos Fantásticos (1962), direção de Luigi Zampa, com Nino Manfredi, Linda Sini, Gino Cervi, Michèlle Mercier, Gastone Moschin, Salvo Randone, Angela Luce.
 
Um lugar particular tem, na produção de Luigi Zampa, o filme Anos Fantásticos, que retoma a expressão inglesa Roaring Twenties, ou seja, “os fantásticos anos vinte”. Uma expressão que indica uma específica época do século XX, ou mesmo a década dos anos vinte. Tal época foi descrita pelo cinema, literatura e música. Favorecida por um fenômeno de grande expansão industrial, depois regredido pelos desastres da grande depressão de 1929 e da censura. Na Europa, e em particular na Itália, se finda com a afirmação do fascismo e instauração da ditadura.
 
O filme é livremente inspirado na comédia L’ispettore generale de Nikolaj Gogol (Revizor, 1836). Em 1937, chega a Ostumi (Puglia) um segurador que vem substituído por um homem mais velho enviado para uma inspeção, e coberto de atenções e favores. É a obra prima, cume da trilogia satírica sobre o fascismo de Luigi Zampa (Anni Difficili de 1948, Anni Facili de 1953 e L’arte di arrangiarsi de 1954), escrita por Vittorio Brancati (morto em 1954), que com esta comédia torna-se quadrilogia.
 
Obra magistral, encenada por Ettore Scola, Ruggero Maccari e Luigi Zampa, com intenção de contar uma história do passado com o olho do presente. Trata-se de uma deliciosa comédia de equívocos, que consegue restituir uma abertura  da vida da província meridional italiana durante o regime fascista. O límpido roteiro garante um extremo prazer, também graças a um cast de exceção: Nino Manfredi, Gino Cervi, Gastone Moschin e Salvo Randone dão uma extraordinária prova de bravura, mas também os personagens secundários são encenados com arte de sabedoria. Um dos mais altos momentos da crítica ao fascismo no cinema italiano. 
 
Luigi Zampa, um mestre esquecido
Grandíssimo diretor esquecido pela crítica nacional, desconhecido no exterior, Luigi Zampa representa plenamente aquele cinema italiano feito de obras primas escondidas, ricas de intuições iluminadas sobre a sociedade italiana, mas também sobre a realidade humana, capaz de falar da realidade específica italiana, mas ao mesmo tempo  de refletir sobre temas universais da vida. Filho de um operário, Luigi Zampa conhece a realidade daqueles que devem lutar pela vida, daqueles que mais sofrem os duros golpes da guerra e da fome. Formou-se como auxiliar de diretor e roteirista com Max Neufeld, junto ao qual trabalha na película Mile lire al mese ( 1939) com os astros Alida Valli e Oswaldo Valenti. Roteirista também de Mario Soldati, escreve filme notável como Centomila dollari (1940) com Amedeo Nazzari e Tempo di villeggiatura ( 1956) com Vittorio De Sica.
 
Luigi Zampa é um dos poucos diretores italianos que fez um esforço particular para compreender e explicar o fascismo aos italianos, num tempo em que fazer uma coisa do gênero era uma empreitada arriscada. E o fez utilizando seja as armas e a estética do Neorealismo, como por exemplo, em Anni Difficili (1948), seja a ironia e a sátira da Comédia à italiana, como por exemplo em Anni Ruggenti ( 1962). A sua crítica não poupou o pós-guerra em que os fascistas se reconverteram com desenvoltura em antifascistas, como se pode verificar em Anni Facili (1953) ou em L`arte de arrangiarsi (1954). No centro destas quatro obras (a quadrilogia sobre o fascismo), ligadas por um sutil fio intelectual, está a delicada questão da adesão ao fascismo, dos valores do indivíduo, não apenas entendidos como valores políticos antifascistas ou democráticos, mas como valores pessoais, como repúdio ao oportunismo e a indiferença vira-bandeira.
 
Uma reflexão que acompanhou uma parte da vida e da carreira de Luigi Zampa, que a re-propôs de muitas maneiras enquanto toda a Itália fingia esquecer o que era inesquecível, vinte e cinco anos de fascismo e vinte anos de ditadura. 
 
Luigi Zampa era assim: polêmico, amigável e fortemente satírico. E este seu modo de fazer repercutia no seu modo de fazer cinema, tomando pretexto de histórias não comuns para criticar particulares mentalidades e particulares costumes sociais, despojando-os da sua falsidade e mostrando o que verdadeiramente eram: oportunismo, prepotência e engano que paradoxalmente eram, segundo Zampa, também os únicos meios de sobreviver.
 
* Maurizio Russo é formado pela Universidade Frederico II de Nápoles, Itália, em letras e filosofia. Doutor em história contemporânea pela Universidade de Nancy 2, França. Especialista em história cultural e história do cinema, além de história italiana. Trabalhou em processos de paz junto à Comunidade de Santo Egidio de Roma, em especial em San Salvador, por nove anos. Lecionou na França, Itália e América Central. Seus últimos trabalhos sobre cinema versam sobre: Pasolini; a visão política do cinema de horror e o cinema italiano entre o pós-guerra e os anos de chumbo.
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