Fim do Império Romano do Ocidente

Por Ludmila Franca (Instituto Norberto Bobbio)

Declínio de Roma

A queda do Império Romano se deveu a uma desestruturação econômica, social e cultural, iniciada em meados do século III da Era Cristã, que fragilizaram Roma, tornando-a vulnerável às invasões de outros povos, conhecidos como povos bárbaros, o que conduziu o sistema à sua total aniquilação no século V.

O declínio de Roma se deveu a um declínio econômico, cultural e militar.

Declínio econômico

O sistema econômico romano era pautado na escravidão como sistema de produção referido aos latifúndios – grandes propriedades de terra. Os produtos, por sua vez, eram comercializados nas cidades e no mercado internacional. Com os grandes lucros para os latifundiários e comerciantes, o governo obtinha uma volumosa arrecadação fiscal, gerando, assim, recursos financeiros suficientes para custear não só as despesas administrativas, mas também com o custeio dos legionários, cuja  função de promover guerras de conquistas e expedições estrangeiras, terminavam por abastecer Roma com escravos, permitindo, assim, o funcionamento do sistema econômico.

A partir do século III, observamos a crise do sistema econômico de Roma em razão da crise de produção ocasionada pela redução do número de escravos. Com a divisão dos latifúndios em pequenas propriedades, a manutenção de escravos se tornava cada vez mais custosa: muitas vezes, os gastos com a alimentação e vestuário dos escravos terminavam por consumir toda a produção, nada restando em termos de lucro, impedindo, assim, o investimento na manutenção de aquisição de escravos para trabalhar, culminando com a redução na produção, culminando em um círculo vicioso de redução de escravos – baixa produção – altos custos – menos lucro.

Por força desse conjunto de motivos, os proprietários de terras recorreram ao sistema de arrendamento para buscar uma saída para a crise. Com esse sistema, os trabalhadores passaram a sustentar-se com os produtos de seu trabalho, cultivando uma gleba de terra arrendado pelo proprietário, que também dava casa a esses trabalhadores. Em contrapartida, os trabalhadores, para recompensar o proprietário pelos benefícios obtidos, eram obrigados a trabalhar alguns dias durante a semana nas terras desse. Dessa forma, muitos escravos deixaram sua condição para se tornarem colonos. Todavia, muitos trabalhadores livres e independentes, em função da crise, foram rebaixados a essa condição de colonos, alguém que não era livre por estar preso à terra. Com isso, a cidade deixa de ser o centro da vida romana, haja vista a grande migração de plebeus urbanos para o campo, com vistas a se tornarem colonos, fugindo dos problemas oriundos da crise política e militar romana. A economia, ruralizada, permitiu o surgimento de unidades de produção autônomas do resto da sociedade; surgem as vilas, construções protegidas por muros e fossos, onde habitavam o senhor e seus dependentes. O senhor era o responsável por garantir a segurança de todos, dirigindo a vida política, econômica e militar de sua propriedade e daqueles que nela habitavam e laboravam.

Em contrapartida, houve, em função dessa crise, uma massiva inflação, promovida pelos imperadores, que emitiam moeda para compensar a falta de circulação econômica, destruindo a moeda corrente, tornando nulo o cálculo econômico a longo prazo, haja vista a desvalorização diuturna da moeda que tornava imprevisível o retorno dos investimentos, e conseqüentemente a acumulação de capital. O lucro era cada vez mais difícil e o acúmulo de capital era inútil, pois esse se consumia sozinho, pela altíssima inflação. A emissão de dinheiro, com vistas a permitir o fluxo de produtos e a produção, gerou o excesso de moeda com escassez de bens: os comerciantes e produtores aumentavam os preços dos seus bens muito mais do que os salários podiam acompanhar: o dinheiro valia cada vez menos e as pessoas compravam também cada vez menos. A inflação tornou a lucratividade ainda mais difícil, resultando, assim, num colapso geral do sistema de produção e comércio em larga escala, bem como a destruição da divisão do trabalho até então vigente e o êxodo urbano: a migração da população para o campo.

 Declínio Político-Cultural

A naturalização de alguns povos bárbaros e o contato com outras culturas fez com que os romanos, insatisfeitos com a crise, começassem a por em xeque o poder divino dos imperadores, levando-os a concluir que a força desses estava referida ao poderio militar. Com isso, o exército passou a exigir melhores salários e o Império, para atender a essas demandas, emitia mais dinheiro para pagar aos soldados, o que enfraqueceu a máquina estatal.

 O Império, sem condições de custear a máquina estatal, começou um processo de descentralização administrativa, atribuindo competência aos senhores para cobrar os impostos. Esse processo de ruralização da economia, aliada à descentralização administrativa e política do Império foi o primeiro passo para a instituição do sistema feudal, que vigorou em seu apogeu na Idade Média.

 Declínio Militar

 A incapacidade de os romanos defenderem suas fronteiras foi o elemento decisivo para que as invasões bárbaras pusessem termo ao Império no século V. Inicialmente, Roma compunha seu exército apenas com soldados de origem romana. Todavia, podemos observar que havia a inclusão de bárbaros “romanizados” nos quadros do exército, o que não gerou, em princípio, nenhuma desestabilização das relações entre soldados e pátria, uma vez que estes eram cidadãos romanos indistitamente considerados.

O que ocorreu foi que à medida que os bárbaros foram invadindo o Império, buscou-se estabelecer acordos com vistas a que eles, recebendo terras, se fixassem num determinado território Em troca, ficavam a serviço do imperador para lutar contra os inimigos de Roma. Nesse contexto, os bárbaros não eram propriamente inseridos à sociedade romana, mas sim admitidos como grupos diferenciados, com seus líderes próprios. Com o tempo, essas tribos emanciparam-se da tutela romana, criando seus reinos e levando à eclosão do Império.

Os mais temidos dos povos bárbaros eram o hunos, que chegaram à Europa em 375. Receosos dos hunos, os visigodos estabeleceram-se no Império Romano, nas supracitadas condições. Como os hunos não atacaram, os visigodos começaram a expandir seu domínio na região em que haviam se estabelecido, o que levou o imperador Valente a tentar expulsá-los, sem sucesso. Com a morte de Valente em 378, Teodósio assumiu o império, concedendo terras aos visigodos, no intuito de acalmá-los. Em 395, Teodósio procedeu uma divisão administrativa do Império em duas partes: Império Romano do Ocidente, cuja capital era Milão, e Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla.

Com a morte de Teodósio, seus dois filhos lhe sucederam: Honório, no Ocidente, e Arcádio, no Oriente. Ambos eram auxiliados por chefes bárbaros. Nesse período têm início as mais violentas investidas dos visigodos, dando início à sua grande invasão, que culminou com a constituição do Reino Visigótico, construído dentro das fronteiras do Império Romano do Ocidente. A esse evento, seguiram-se as invasões dos vândalos, dos burgúndios e dos hunos. Ao final, somente restou a Itália sob o controle dos romanos. Em 476, o Império Romano do Ocidente ruiu por completo, com o assassinato do imperador Júlio Nepos por Orestes, um huno. No mesmo ano, o filho de Orestes, Rômulos Augústulus, que havia sido sagrado imperador no lugar de Julio Nepos, foi deposto por Odoacro, rei dos hérulos, que se declarou rei da Itália e aliado do Oriente. O Império parecia reunificado, mas era só aparência: o imperador tinha poder de comando apenas no Oriente, pois no Ocidente o domínio era exclusivo dos bárbaros. Em 488, Zenão, imperador de Constantinopla, celebrou um acordo com Teodorico, rei dos ostrogodos, segundo o qual este ficaria com a Itália. Após muitas batalhas contra os hérulos, Teodorico afirma-se como rei da Itália, fundando o Reino Ostrogótico. Era a consolidação do fim do Império Romano.

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38 respostas para Fim do Império Romano do Ocidente

  1. ana paula disse:

    achei interesante

  2. brenda disse:

    ame

  3. nedfatdfadfs disse:

    legalsinho!

  4. disse disse:

    usei para fazer meu trabalho de historia

  5. mirella disse:

    também gostei!!!

  6. Gabriella disse:

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  7. gabriel disse:

    adorei mto bom!!!!

  8. ana karolina da silva disse:

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  10. por causa desse resumo tirei 10 no meu seminário

  11. gabrielc.b2010@hotmail.com disse:

    muito legal

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    é ajudou em alguma coisa, eu acho…

  15. Lívi@h disse:

    gostei muitoo

  16. nathani disse:

    muito bom tirei 3 pontos oque valia

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    USEI PARA O MEU TRABALHO DE ESCOLA

  18. shaulin costa disse:

    valeu cara ajudou muito

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    vlw cara ajudou muito

  20. ariana disse:

    esto foi impesionante

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  24. Ana Clara disse:

    Muito Boom !!!

    Aadooreei!

  25. Gostei bastante , vou usar para fazer meu trabalho de história …… muito obrigada ! 😉

  26. Luccas disse:

    Perfeito para mim… Excelente

  27. Lua Oliveira disse:

    usei para meu trabalho da escola mim ajudou muito 😉

    • Júlia disse:

      Muito obrigada! O texto mais completo, com detalhes que encontrei, você merece parabéns! Me ajudou muuito no trabalho de história!!

  28. lua oliveira disse:

    Adorei o texto

  29. Giovanna disse:

    Gostei muito vou usar para fazer meu trabalho de história !

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