Pressão popular cresce no Egito após rejeição de proposta militar

Para os manifestantes, militares não desejam passar o poder para um governo civil

A proposta feita pela cúpula militar egípcia, que vem governando o país desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro desse ano, foi insuficiente para as centenas de milhares de pessoas que se manifestam há cinco dias pelas ruas do país. Já na madrugada desta quarta-feira (23/11), manifestantes e polícia entraram novamente em confronto.

Ontem, o chefe da junta militar do país, marechal Mohamed Hussein Tantawi, anunciou em cadeia nacional a antecipação da transferência do poder para um presidente civil, prometendo eleições presidenciais em junho, seis meses antes do prazo previsto.

Mas Tantawi provocou indignação ao sugerir um referendo sobre a antecipação do fim do regime militar — algo que muitos viram como uma manobra para dividir os egípcios entre aqueles que estão protestando e os que temem a escalada da violência.

“Fora, fora!”, gritaram manifestantes na Praça Tahrir após escutarem o discurso de Tantawi, num clima de indignação que lembra os protestos que levaram à queda de Mubarak. “O povo quer derrubar o marechal” era outro refrão ouvido.

Além disso, a junta confirmou a realização, a partir da segunda-feira (28/11), da primeira eleição parlamentar livre em várias décadas no país. A eleição parlamentar, que acontece em várias etapas, só irá terminar em janeiro de 2012.

Tantawi também anunciou a renúncia do primeiro-ministro Essam Sharaf e de seu gabinete, que haviam desencadeado os atuais protestos após apresentarem um anteprojeto constitucional que blindaria os militares de qualquer supervisão civil.

Mortos

O ministro da Saúde egípcio, Amr Helmy, reconheceu nesta quarta-feira que várias das vítimas dos enfrentamentos entre polícia e manifestantes no Cairo e nos arredores da capital morreram por ferimentos de bala.

“Foram encontradas balas de fogo em alguns dos corpos”, disse o ministro em encontro improvisado com jornalistas e médicos em Tahrir, onde afirmou que foram abertas investigações em todos os casos de mortos por disparos.

Além disso, Helmy explicou que foram identificados corpos com balas fragmentadas em seu interior, algo que poderá indicar o uso de armamento não convencional após as pesquisas.

Desde o início dos enfrentamentos no sábado, já morreram 31 pessoas no Cairo, de acordo com os últimos números do Ministério, o que eleva a 33 o total de mortos no Egito.

Um dia após anúncio do chefe da junta militar, manifestantes permancem na Praça Tahrir (EFE)
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