Governo do Chile retira a expressão “ditadura” dos livros escolares

A partir do ano letivo de 2012, as crianças do primeiro ao sexto ano escolar no Chile usarão a expressão “regime militar” para se referirem à época em que Augusto Pinochet esteve no comando do país, de 1973 a 1990. O governo chileno substituiu com esse termo a expressão usada anteriormente, “ditadura militar”.

Para o novo ministro da Educação, Harald Beyer, a expressão “regime militar” é geralmente “mais usada”. Beyer disse ainda que a norma, adotada em uma sessão extraordinária do Conselho Nacional de Educação, está de acordo com o resto do mundo onde as expressões costumam ser “mais gerais”.

Questionado, o ministro afirmou que reconhece que o período em que Pinochet esteve no poder constituiu-se como “regime ditatorial”. No entanto, para justificar a mudança, afirmou que muitos educadores participaram da decisão e estavam de acordo com o resultado final.

A alteração do governo só foi possível em razão de uma decisão do CNED (Conselho Nacional de Educação), órgão autônomo ligado ao Ministério da Educação, que aprova ou não projetos governamentais na área. No início de dezembro de 2011, ele aprovou uma proposta do Executivo para as bases curriculares de diversas matérias, entre elas, História, Geografia, línguas e Estudos Sociais. E a mudança de termos constava no projeto.

Sobre a modificação, Elizabeth Lira, membro do CNED (Conselho Nacional de Educação), disse não considerar a modificação relevante. “È uma discussão que não terá fim. Temos de lembrar que o atual governo é formado, em pelo menos 50%, de gente que era partidária de Pinochet. Não me surpreende em nada que tenham escolhido mostrar a história dessa forma. São maneiras de identificar quem promove esse tipo de visão das coisas. Parece-me legítimo”, disse Elizabeth, diretora do Centro de Ética da Universidade Alberto Hurtado ao jornal El Dínamo.

Entretanto, Alejandro Goic, também membro do CNED e presidente da Academia de Medicina do Instituto de Chile afirmou que ninguém do órgão, especialistas ou consultores, se deram conta da alteração quando ela foi discutida no órgão. “E trata-se de um tema sensível. Para mim, deveríamos manter o termo original. Afinal, as ditaduras são chamadas de ditaduras, e as democracias são chamadas de democracias”, disse ele ao jornal.

*Com informações da Agência Ansa

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