Crise abre caminho para investimento chinês recorde na Europa

BBC Brasil

Daniela Fernandes

Os investimentos chineses na Europa foram multiplicados por sete desde o início da crise financeira mundial, em 2008, e vêm se acelerando nos últimos meses, após o agravamento da crise na zona do euro, segundo dados de organizações internacionais.

Os chineses vêm acelerando seus investimentos no Velho Mundo nos últimos anos em setores variados. Já adquiriram ou compraram participação, por exemplo, em vinhedos na França, companhia de energia em Portugal, fábrica de máquinas na Alemanha e montadoras de veículos na Suécia e Grã-Bretanha. O perfil variado, incluindo indústrias de alta tecnologia, contrasta com a forte concentração de investimentos chineses no Brasil, bem como na América Latina, em setores como mineração, petróleo e gás.

De acordo com a Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), o volume de recursos chineses investidos na Europa, em fusões ou aquisições de empresas, além da compra de participações acionárias, foi de US$ 876 milhões em 2008. Em 2010, últimos dados disponíveis na Unctad, o montante foi de US$ 6,76 bilhões.

Apesar de expressivos, os números da Unctad são apenas um dos indicadores da tendência de avanço dos investimentos chineses na Europa.

“Esses números estão subestimados, porque se referem somente à China continental, e não incluem Hong Kong”, disse à BBC Brasil Guoyong Liang, do escritório de assuntos econômicos da Unctad.

Hong Kong é uma importante plataforma para investimentos chineses no exterior, mas o governo chinês não divulga o destino, por país, dos investimentos provenientes da região administrativa especial da China.

A entidade americana Heritage Foundation tenta superar esse obstáculo na obtenção dos dados acompanhando os investimentos no momento em que são anunciados e confirmados. Segundo a entidade, em 2011, os investimentos em 13 países europeus teriam atingido cerca de US$ 15 bilhões.

Aceleração

Inúmeros anúncios de aquisições de empresas (ou também de participação no capital de companhias europeias) por investidores chineses têm sido feitos nos últimos meses.

Um dos negócios mais comentados, em razão do montante, ocorreu no final de dezembro: a China Três Gargantas comprou, por US$ 2,7 bilhões, a fatia de 21,35% que o governo português detinha na Energia de Portugal (EDP), afastando da disputa o grupo alemão e.ON e as brasileiras Eletrobras e Cemig.

A recente compra em Portugal é exemplo de uma tendência observada pela Heritage Foundation de aceleração de investimentos em países fortemente afetados pela crise na zona do euro.

A China, segundo a Heritage Foundation, não havia investido nada na Espanha entre 2005 e 2008, por exemplo. De 2009 até 2011, o fluxo de capitais chineses para o país atingiu US$ 1,5 bilhão.

A situação em Portugal é mais emblemática. Ainda de acordo com a Heritage Foundation, a China não teria investido nada no país entre 2005 e 2010.

Apenas em 2011, quando Portugal entrou no olho do furacão da crise das dívidas soberanas, o fluxo de investimentos chineses para o país atingiu US$ 3,5 bilhões.

“Após o início da crise, em 2008, houve um grande aumento dos investimentos chineses na Europa. Mais recentemente, a crise na zona do euro passou a representar uma oportunidade para comprar ativos mais baratos”, afirma Liang, da Unctad.

Ele diz que a maior parte dos negócios na Europa começou a ocorrer desde meados do ano passado.

Na Alemanha, um dos países que mais receberam investimentos chineses em 2009 e 2010, o interesse é pela indústria mecânica, que produz maquinário de alta tecnologia com reputação mundial, diz o economista da Unctad.

Segundo ele, os investimentos chineses também são significativos na Grã-Bretanha porque o país reúne sedes de várias empresas importantes do setor de energia e também bancário.

As empresas chinesas também têm investido em infra-estrutura na Europa, com concessões para operar nos portos dos Pireus, em Atenas, e de Nápoles, na Itália.

Montadoras europeias, como a britânica Rover (que estava em concordata em 2005) ou ainda a sueca Volvo, em 2010, também foram compradas por grupos chineses, que tentaram ainda adquirir no ano passado a sueca Saab. Mas a operação foi vetada pela General Motors, proprietária da marca sueca de automóveis, que acabou pedindo concordata em dezembro.

Na França, além de setores como o da energia, as companhias chinesas têm investido em segmentos ligados à imagem da França no exterior: marcas de moda de luxo e vinhos.

A grife Cerruti foi adquirida por chineses em 2010 e, em fevereiro passado, foi a vez do fundo Fung Brands, de Hong Kong, comprar 80% do capital da marca de prêt-à-porter de luxo Sonia Rykiel.

Investidores chineses também estão multiplicando as aquisições de vinhedos em Bordeaux com o objetivo de exportar para a China, que se tornou o primeiro importador mundial de vinhos dessa região francesa.

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