A primeira semana do novo presidente francês e a situação na Grécia

Por Camila Perruso | de Paris, para o blog do INB

Uma semana intensa para o novo presidente da República francesa: após tomar posse e homenagear Jules Ferry e Marie Curie (mostrando a importância da educação e da pesquisa para seu governo), nomear seu primeiro ministro e convocar seus ministros (obedecendo a paridade, 17 mulheres e 17 homens), encontrar a chanceler alemã e partir para os Estados Unidos para o encontro do G8, Hollande mostra-se engajado para uma mudança da Europa e da França em direção ao crescimento em detrimento da estabilidade. Ele anunciou que “não haverá crescimento sem confiança nem confiança sem crescimento”.

A grande questão que tem mobilizado a Europa e que também foi pauta de importante discussão entre os dirigentes do G8 é a crise na Grécia. Apesar da inconstância acerca das opiniões relativas à permanência desse país na zona euro, Hollande, Merkel e todos os outros dirigentes manifestaram-se em favor de uma Europa forte e unida com a participação da Grécia. Nessa perspectiva, Merkel afirmou que o crescimento e a consolidação do orçamento são as duas faces da mesma moeda, e a questão que se coloca é como fazer para criar crescimento e empregos no contexto de novas reformas orçamentárias e estruturais.

Na semana passada a troïka (Comissão européia, Banco central europeu e o Fundo monetário internacional) anunciou que a saída da Grécia da zona euro não era mais um “tabu”. Isso tudo devido às eleições legislativas ocorridas no país em 6 de maio passado, a impossibilidade de haver uma coalisão parlamentar e as novas eleições agendadas para dia 17 de junho, configurando uma grande instabilidade política no país – consequentemente econômica.  A problemática gira em torno da impossibilidade do país de arcar com suas dívidas a partir do plano de ajuda desenhado pela troïka.

Considera-se que as reformas econômicas estipuladas ao país fazem com que a população grega sofra mais do que se estabeleçam resultados efetivos. Por essa razão, o partido de esquerda radical Syriza, atingiu um alto nível de eleitorado, revelando um desejo de mudança por parte dos cidadãos gregos. Para alguns, o partido não tem um projeto político consistente com verdadeiras proposições, mas desempenha um papel de resistência às imposições européias para o enfrentamento da crise. Para outros, Syriza é a possibilidade que a Grécia e a Europa têm de constituirem uma identidade de solidariedade a fim de afirmarem-se como potência mundial. A União européia teme a força desse partido político, justamente por revelar que sua política de austeridade possa ter fracassado nesse país-membro, e consequentemente a obrigue a mudar de direção no enfrentamento dos problemas gregos ou a constituir a saída do país dessa comunidade.

A Grécia vive hoje um momento de ruptura econômica, política e social. Todas as suas bases estão instáveis e se o país continuar na zona euro, deverá se refundar no contexto da União européia. Esse processo virá por sua submissão absoluta às imposições européias quanto à austeridade econômica, ou pela invenção de uma nova Europa federal no verdadeiro senso do termo. Para tanto, há uma forte esperança em Hollande, visto que o presidente da França tem um peso político importante na União européia, no sentido de que o país não seja reduzido aos problemas econômicos que enfrenta, mas que tenha a ajuda necessária da Europa para crescer, aumentar sua competitividade e reestruturar suas instituições. Nessa perspectiva, a situação da Grécia convida a Europa para se federalizar nos momentos difíceis e se constituir em uma União de solidariedade e de projeto comum.

À parte os novos horizontes vislumbrados pela Europa e o papel protagonista de Hollande nas possibilidades que poderão se apresentar, o novo presidente tem uma outra preocupação: hoje começa oficialmente a campanha para as eleições legislativas na França. Não se pode esquecer que o o presidente da República francesa pode ser um verdadeiro chefe da maioria da Assembléia legislativa, e com isso determinar efetivamente as grandes orientações da política conduzida por seu governo.

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Esse post foi publicado em Conexão Paris: Eleições 2012 | por Camila Perruso. Bookmark o link permanente.

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