João de Scantimburgo (1915-2013)

Instituto Norberto Bobbio

“Aquilo que conta na vida é, sobretudo, as relações humanas que você teve
com os outros. Quantas pessoas você amou. Quantas pessoas te amaram. Quantas
pessoas te educaram. Estiveram próximas de você. Estiveram ao seu lado”. Essas
palavras, de Norberto Bobbio, são fruto da reflexão sobre o “fim da estrada”,
inerente a todos nós. São essas mesmas palavras que gostaríamos de utilizar para
homenagear um grande homem, exemplo graúdo em um país com poucos
exemplos: João de Scantimburg.

Falecido em 22 de Março, o quinto ocupante da cadeira nº 36 da Academia
Brasileira de Letras, João de Scantimburgo, em seu discurso de posse, em 26/05/
1992, terminava dizendo, ressaltando seu “espírito bandeirante”, que “trago, e aqui
ofereço a vós todos, a minha inabalável fé paulista na grandeza do Brasil”. Hoje,
quase 21 anos depois, ainda precisamos dessa fé. Pois diferentemente de
Scantimburgo, que sabia que “quando elegeis um novo acadêmico, vós lhe estais
lembrando que a honra se acompanha da obrigação de corresponder à escolha”, a
grandeza do Brasil hoje é vergonhosamente esquecida por aqueles que, além de
não corresponderem à escolha, sequer compreendem a importância dos valores
ético e morais.

João de Scantimburgo foi por isso mesmo um homem de resistência. E, sem
dúvidas, um protagonista do engajamento na vida acadêmica. Foi também um
incentivador fundamental para a criação do Instituto Norberto Bobbio e, como
colaborador, permitiu que as condições favoráveis à criação do mesmo fossem
constantemente revigoradas. Sabia bem que “os vocábulos “liberal” e “liberalismo”
foram deturpados. Devemos, por isso, tentar restituir-lhes o verdadeiro sentido. Se
o Liberalismo político, social, econômico deve ser entendido como autonomia da
pessoa e participação mínima do Estado no seu processo, cabe ao poder dobrar-se
a esse princípio, cumprindo-o rigorosamente, do mesmo passo que protege nas
pessoas as liberdades”. E nossa tarefa, como Instituto Norberto Bobbio, continua
atenta a esta lição.

“Há tempo para semear e tempo para colher”, disse em seu discurso de
posse na Academia Brasileira de Letras, e também sabemos que, ainda hoje, para
que este País cresça e materialize sua até agora injuriosa democracia, precisamos
de seu saudoso “espírito bandeirante”. Ficam as memórias, e com elas os
ensinamentos, e a certeza daquilo que conta na vida.

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