Reino Unido avança com nova central nuclear, a primeira na Europa pós-Fukushima

Ricardo Garcia, do Público

O Reino Unido vai ser o primeiro país da Europa ocidental a lançar uma nova central nuclear desde o acidente nuclear de Fukushima, em 2011, no Japão. O Governo britânico deu última semana luz verde a dois novos reatores em Hinkley Point, no Sudoeste da Inglaterra, depois de ter chegado a um acordo sobre o preço a pagar pela eletricidade produzida. A tecnologia e o principal investidor são franceses, em parceria com chineses.

A última central a entrar em funcionamento no Reino Unido foi a de Sizewell B, no Sudeste do país. Começou a ser construída em 1988 e passou a produzir electricidade em 1995. Actualmente, há apenas duas centrais em construção na Europa ocidental – uma na Finlândia e outra na França.

Segundo o acordo assinado com um consórcio liderado pelo grupo francês EDF, o Governo garante aos investidores um valor de 89,50 libras (105 euros) por cada megawatt-hora de electricidade produzida, durante 35 anos. Se a EDF não for adiante com um segundo projeto previsto para Sizewell, o preço será reajustado para 92,50 libras (109 euros).

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o acordo, que envolve 16 bilhões de libras (19 bilhões de euros) de investimento, representa “notícias brilhantes”.

Relançar o nuclear é uma peça central na política energética e econômica do Reino Unido para as próximas décadas. O país chegou a ter 38 reatores em funcionamento, na década de 1980. Mas o acidente nuclear de Tchernobil, na Ucrânia, em 1986, arrefeceu os programas nucleares europeus, e o Reino Unido seguiu pelo mesmo caminho. Hoje tem 16 reactores operacionais, que respondem por um quinto da electricidade consumida no país, mas que não terão mais de 10 a 15 anos de vida útil.

Apesar dos temores lançados pelo acidente de Fukushima, há dois anos, a nova central de Hinkley Point será “uma entre várias” a serem construídas no futuro próximo, segundo Cameron. Outros países estão em sentido contrário: a Alemanha vai prosseguir o seu plano de abandono gradual de energia nuclear, a Itália bloqueou planos para novas centrais e mesmo a França tenciona reduzir de 70% para 50% a dependência da energia atômica.

A nova central britânica será construída pela EDF, em parceria com duas companhias chinesas – a China National Nuclear Corporation a a China General Nuclear Power Corporation, que terão uma participação de 30% a 40% no investimento. A também francesa Areva, com 10%, igualmente fará parte do negócio. Obtido agora o acordo sobre as condições, o contrato final de investimento deverá estar concluído apenas no verão do próximo ano.

A questão do preço é uma das mais polêmicas. O valor acordado representa quase o dobro do preço médio da electricidade à saída das centrais de produção. Além disso, o anúncio do acordo é feito num momento em que os britânicos enfrentam grandes aumentos na fatura energética para este inverno. A Southern Electric e a British Gas, duas das maiores empresas do sector, anunciaram já aumentos na ordem dos 8% a partir de novembro.

O Governo argumenta, no entanto, que qualquer impacto na fatura não será sentido senão dentro de dez anos, em 2023, quando se espera que a central entre em funcionamento. Além disso, o Governo acredita que o mercado energético será diferente nessa altura e que, com a renovação do parque nuclear do Reino Unido, será possível poupar 90 euros por ano na factura eléctrica em 2030.

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