Japão usa o desastre nuclear de Fukushima para se livrar das metas de carbono

Sarah Lazare, para o Commom Dreams

O Japão anunciou que irá desistir de seu compromisso em reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa em 25% em relação aos níveis medidos em 1990, até o ano de 2020. O colapso de Fukushima foi citado como sendo a razão pela qual o país não irá cumprir o compromisso previamente acordado.

Grupos ambientalistas se mostraram indignados que o Japão, o quinto maior poluidor por carbono do mundo, use uma crise nuclear para se desvincular de uma catástrofe climática, ainda mais com o anúncio sendo feito ao mesmo tempo em que a ONU conduz uma série de debates sobre as questões climáticas em um evento na Polônia.

“O anúncio do Japão é um tapa na cara do mundo e de todos os povos”, declarou Dipti Bhatnagar, coordenador internacional do programa de justiça climática e energética da Amigos da Terra Internacional (Friends of the Earth International). “Hoje o Japão ri dos países do hemisfério sul, que esperavam ouvir que os países ricos, como o Japão, fossem diminuir suas emissões”.

O chefe de gabinete do secretariado, Yoshihide Suga, anunciou em Tóquio que o Japão vai ajustar sua meta para um crescimento de 3 pontos percentuais na emissão dos gases – uma brusca diferença para uma redução de 25 pontos percentuais, que era a meta original.

“Nosso governo tem dito que a meta de redução em 25 pontos percentuais não tinha nenhum fundamento e não era possível”, afirmou.

Nos debates sobre as questões climáticas em Varsóvia, Hiroshi Minami, o negociador-chefe do Japão, atribuiu a mudança ao colapso em Fukushima. “A nova meta se baseia em um cenário futuro de zero de energia nuclear. Temos que diminuir nossas ambições”, ele disse.

Dado que o Japão é a terceira maior economia do mundo, o fato de o país abandonar seus compromissos em relação ao clima não ajudam em nada os esforços para se chegar a um acordo no evento da ONU sobre as questões climáticas, segundo informações da Associated Press.

A redução da meta do governo japonês é só o mais recente episódio a causar indignação dentro do debate da ONU desta semana. Antes, Canadá e Austrália se juntaram e formaram um “cartel do carbono”, também recuando em seus compromissos de redução de emissão.

“O mundo precisa de reduções de emissão ambiciosas, urgentemente. Mas, indo na contramão, os países industrializados estão andando para trás e têm se movido muito vagarosamente já há duas décadas. Isso é inaceitável”, disse Jagoda Munic, presidente da ONG Amigos da Terra Internacional.

“O Japão é um dos maiores emissores de CO2 do mundo, e tem a responsabilidade de liderar o mundo na redução das emissões”, disse Kelly Dent, responsável pelas mudanças climáticas da ONG Oxfam, em um email endereçado à Bloomberg.

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