Anistia Internacional acusa Israel de desrespeitar vida de civis palestinos

DIOGO BERCITO
DE JERUSALÉM | Folha de S. Paulo

A Anistia Internacional publicou, hoje, um relatório apontando que Israel demonstra “desrespeito à vida humana ao matar dezenas de civis palestinos, incluindo crianças, na Cisjordânia”.

O texto, que acusa o Exército de uso excessivo de força, descreve as ações israelenses como “desnecessárias, arbitrárias e brutais”. São documentadas as mortes de 25 civis palestinos, quase todas ocorridas no ano passado.

O Exército, acusado também de tratar seus soldados com impunidade, afirma no entanto que apenas responde a um crescimento dos incidentes nos territórios ocupados. Israel está na Cisjordânia desde a Guerra dos Seis Dias, de 1967.

“A Anistia Internacional ignora por completo o aumento substancial da violência palestina iniciada no último ano e mostra uma total falta de compreensão quanto aos desafios operativos que o Exército israelense enfrenta”, afirmaram as Forças de Defesa de Israel em uma nota divulgada à imprensa pela manhã.

De acordo com os militares, 132 civis israelenses foram feridos durante 2013, quase o dobro do ano anterior. Houve 66 ações terroristas durante o período, incluindo tiroteios, a instalação de dispositivos explosivos e ataques com armas brancas, além do sequestro e morte de um soldado.

A Anistia Internacional, no entanto, afirma que as mortes de palestinos apresentadas no estudo são de civis que não apresentavam riscos a Israel. “Em alguns [casos], há evidência de que eles foram vítimas de assassinatos intencionais, o que equivaleria a crimes de guerra”, diz a organização na divulgação de seu relatório de 87 páginas.

As mortes documentadas incluem a de Lubna Hanash, 21, vítima de um tiro na cabeça em 23 de janeiro de 2013 enquanto deixava uma faculdade de agricultura na região da cidade de Hebron. Ela não participava de manifestações e foi atingida por um soldado que disparou a cem metros de distância.

Também está no relatório da Anistia Internacional a morte de Samir Awad, 16, atingido três vezes -incluindo atrás de sua cabeça- depois de participar de um protesto contra a barreira que divide Israel da Cisjordânia.

A organização nota, também, que jornalistas e membros de ONGs foram feridos pelo uso excessivo de força do Exército israelense. “Em alguns casos, eles parecem ter sido alvos diretos.”

De acordo com Paul Hirschson, vice-porta-voz da chancelaria israelense, é “ridícula” a ideia por trás do relatório de que “a violência palestina contra o Exército, incluindo o arremesso de pedras e de coquetéis molotov, não seja uma ameaça aos soldados”.

“Eu não sei quais são as intenções da Anistia Internacional”, diz à Folha. “Mas seu comportamento levanta questões sobre a agenda política da organização.”

Esse post foi publicado em Dieitos Humanos: Notícias. Bookmark o link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s