“Arrastaram o corpo dela como se fosse um saco”

Ligia Modena | Extra

Alexandre Fernandes da Silva, de 41 anos, viúvo de Cláudia Ferreira da Silva, de 38 anos, morta na comunidade de Congonha, em Madureira, na Zona Norte o Rio, durante operação policial na manhã de domingo, reclama da postura dos policiais:

– Arrastaram o corpo da minha mulher como se ela fosse um saco. A perna dela ficou toda em carne viva. Não podiam ter feito isso com ela – diz, abalado.

Ele estava no seu trabalho de vigia, no Mercadão de Madureira, quando ficou sabendo que a esposa havia sido baleada:

– Ela era trabalhadora, não bandida. Não sei por que fizeram isso com ela.

A filha de Cláudia, Thaís Silva, de 18 anos, estava em casa e escutou a ação:

– Quando sai, minha mãe já estava jogada no chão, ensanguentada. Perguntei para os policiais o porque de eles terem atirado na minha mãe. Eles não falaram nada.

De acordo com moradores, Cláudia, que era auxiliar de limpeza, saiu para comprar pão quando foi atingida. Ela foi levada ao Hospital Carlos Chagas, mas não resistiu.

Revoltados com a morte, moradores da comunidade fizeram protesto e fecharam a Avenida Edgar Romero.

Cláudia era conhecia como Cacau na comunidade, tinha quatro filhos e criava outros quatro sobrinhos.

– Encontrava a Cacau todos os dias às 4h45m, no ponto de ônibus. Ela era uma pessoa muito trabalhadora e querida por todos. Isso não pode ficar assim – diz Ana Lúcia Souza Lima, vendedora de 33 anos, que era amiga de Cláudia.

Confira a nota da Polícia Militar sobre o ocorirdo:

“Segundo o comando do 9º BPM (Rocha Miranda) houve uma operação do batalhão na comunidade Congonha, em Madureira, na manhã deste domingo, 16/01. Com a chegada dos policiais, houve troca de tiros e um suspeito foi baleado. Com ele foram apreendidos quatro pistolas, sendo três calibre 9mm e uma calibre 380, dois rádios transmissores e drogas ainda não contabilizadas.

Quando os policiais chegaram à Rua Joana Resende, no ponto mais alto da comunidade, encontraram uma mulher baleada. Claudia da Silva Ferreira foi socorrida pela viatura e encaminhada ao Hospital Carlos Chagas, mas não resistiu aos ferimentos. Equipes do batalhão preservaram os locais onde a vítima e o suspeito foram atingidos até a chegada da perícia da Polícia Civil.

Moradores da comunidade chegaram a fechar por alguns instantes a Avenida Edgar Romero, que fica próximo à comunidade. Eles atearam fogo em lixeiras e jogaram pedras em um posto de gasolina próximo. O policiamento foi reforçado na região e a situação é tranquila no momento.

As armas dos policiais estão à disposição da Polícia Civil.

A ocorrência foi registrada na 29ª DP (Madureira).”

 

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